No meio da madrugada ela saiu por
aquela porta deixando tudo pra trás, como se tivesse findado o passado e
recomeçado uma vida nova no mesmo instante.
Estava uma chuva fina; mas e daí?
É bom que assim lava a alma e escorre todas as mazelas pelos ralos fétidos da
cidade; pobre dos ratos que vivem ali e aceitam de bom grado tudo o que lhes é
mandado.
O vento frio fez a porta bater em
suas costas, tão forte... O som ecoou no seu coração que também bateu
acelerado. Não teve medo da rua vazia, mas sentiu um aperto como se não houvesse
fim.
Sem rumo, sequer sabia qual dos
caminhos tomar; escolheu o que lhe pareceu mais sombrio e foi. Sem olhar para
trás, deixou tudo o que ficou atrás da porta cair no esquecimento.


